A Gestação do Futuro

A Gestação do Futuro

R$ 40,00

LANÇAMENTO DIA 19 DE SETEMBRO
ENVIO DO LIVRO DIA  23/09/2020


Estas são meditações que escrevi em anos de cativeiro, quando a esperança se parecia com um pôr de sol: infinitamente bela em suas cores, infinitamente triste no seu adeus. Tudo anunciava uma longa noite. A vontade de dormir era muito grande. Abandonar-se ao sono... Às vezes a tranquilidade chega quando a esperança vai. Fernando Pessoa se refere à luxúria de perder toda a esperança. É o que acontece com os doentes terminais. Enquanto dura a esperança, é aquela luta sem fim. Mas, quando ela se vai, entregam-se mansamente ao sabor das águas, até não serem mais vistos. Perder a esperança é isto: compreender a inutilidade de todos os gestos. Mas alguma coisa dizia que era preciso resistir: questão de salvação pessoal, manter-se inteiro. Somos o contorno de nossas nostalgias. Tão longe de Descartes que encontrava o nosso ser na presença do pensamento: percebo-me apalpando os limites do que me falta. Procuro, nos olhos e no pensamento, o vazio imenso marcado pelo Desejo. Pensei então que quando os gestos claramente reconhecidos como políticos se tornam impossíveis, resta-nos tentar os gestos poéticos: dizer as coisas que não são. As pessoas religiosas dão, a este jeito de falar, o nome de Oração: quando os olhos, vendo as coisas que se podem ver, não conseguem sorrir, e buscam, na direção das Ausências, as coisas ainda Invisíveis, onde a Alegria mora... E assim sonhamos, e construímos utopias, e poemas e rimos (quando tudo dizia que teríamos de chorar...). E pareceu-me então que a condição de exilados não é coisa acidental, que acontece em conjunturas políticas, marcadas por datas e lugares. Somos exilados sempre. E é por isso que sonhamos sempre, quando dormimos, e sonhamos sempre, quando acordados.
Livro pertencente à coleção TEOPOÉTICA, com obras teológicas do autor Rubem Alves.

Título do livro A Gestação do Futuro
Tipo Livro impresso

LANÇAMENTO DIA 19 DE SETEMBRO
ENVIO DO LIVRO DIA  23/09/2020


Estas são meditações que escrevi em anos de cativeiro, quando a esperança se parecia com um pôr de sol: infinitamente bela em suas cores, infinitamente triste no seu adeus. Tudo anunciava uma longa noite. A vontade de dormir era muito grande. Abandonar-se ao sono... Às vezes a tranquilidade chega quando a esperança vai. Fernando Pessoa se refere à luxúria de perder toda a esperança. É o que acontece com os doentes terminais. Enquanto dura a esperança, é aquela luta sem fim. Mas, quando ela se vai, entregam-se mansamente ao sabor das águas, até não serem mais vistos. Perder a esperança é isto: compreender a inutilidade de todos os gestos. Mas alguma coisa dizia que era preciso resistir: questão de salvação pessoal, manter-se inteiro. Somos o contorno de nossas nostalgias. Tão longe de Descartes que encontrava o nosso ser na presença do pensamento: percebo-me apalpando os limites do que me falta. Procuro, nos olhos e no pensamento, o vazio imenso marcado pelo Desejo. Pensei então que quando os gestos claramente reconhecidos como políticos se tornam impossíveis, resta-nos tentar os gestos poéticos: dizer as coisas que não são. As pessoas religiosas dão, a este jeito de falar, o nome de Oração: quando os olhos, vendo as coisas que se podem ver, não conseguem sorrir, e buscam, na direção das Ausências, as coisas ainda Invisíveis, onde a Alegria mora... E assim sonhamos, e construímos utopias, e poemas e rimos (quando tudo dizia que teríamos de chorar...). E pareceu-me então que a condição de exilados não é coisa acidental, que acontece em conjunturas políticas, marcadas por datas e lugares. Somos exilados sempre. E é por isso que sonhamos sempre, quando dormimos, e sonhamos sempre, quando acordados.
Livro pertencente à coleção TEOPOÉTICA, com obras teológicas do autor Rubem Alves.

 

 

 

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  • Assunto: Teopoética - Ciência da Religião - Teologia
  • Acabamento: Brochura
  • Dimensões do produto: 16 x 23 cm
  • Páginas: 200 
  • Peso: 300 g
  • Tipo de Papel: Offset 75 g
  • Idioma: Português

 

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Rubem Alves foi professor, teólogo, psicanalista, músico, cronista e poeta. Ainda é considerado um escritor de todos os tempos, pois ele com toda sua bagagem intelectual fala de humano para humano, reportando-se às nossas verdades essenciais e às nossas virtudes mais profundas, permitindo que venham à tona. Nasceu em Dores da Boa Esperança / MG, em 1933 e faleceu no dia 19 de julho de 2014. Ele dizia: "Somos belos porque dentro de nós há um jardim que, vez por outra, se deixa ver através dos nossos gestos".